IPTU Verde e o Black Bloc das Águas - DE OLHO NA MÍDIA

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IPTU Verde e o Black Bloc das Águas

14 dezembro 2013

/ DE OLHO NA MÍDIA

 A questão da sustentabilidade, ao que parece, ainda não chegou por Aracaju. Não há nem nunca houve um sério projeto de gestão da cidade que tenha por fundamento o muito que essa palavra representa. Não trato aqui de ações “mais complexas”, como a execução de um Plano Diretor de Drenagem ou uma eficiente e ampla coleta seletiva de resíduos com adequada destinação para o reaproveitamento - nesse quesito, continuamos a jogar no buraco, agora da Extre, dinheiro e oportunidade de empregos. Clamo aqui por projetos simples, a exemplo do IPTU Verde.


 O IPTU Ecológico consiste na redução de impostos para os proprietários que adotem medidas sustentáveis em seus imóveis. A adoção de uma ou mais árvores, imóveis horizontais com jardins ou gramas que permitam a absorção das águas das chuvas, utilização de sistema de captação de água ou aquecimento hidráulico solar, reformas de calçadas de forma a garantir acessibilidade a pedestres e cadeirantes, dentre outras ações, são contempladas com a redução de IPTU por um determinado período.


Na Europa e em alguns países da América Latina a prática tem permitido o barateamento no preço de produtos e tecnologias e contribuído para o crescimento no número de pessoas que adotam medidas sustentáveis em suas edificações, além de atrair indústrias que produzem essas tecnologias.


 Na maioria dos municípios que adotam o tributo verde, os descontos costumam a variar entre dois e cinco por cento pro ação adotada, podendo chegar ao máximo a 25% por um conjunto delas. No estado de São Paulo, cidades como Campinas, Guarulhos, São Vicente e São Carlos já adotaram o IPTU Ecológico assim como em Curitiba e Maringá, no Paraná, e Manaus, no Amazonas, para citar alguns exemplos.


 A adoção do IPTU Verde traz, em médio prazo, óbvios benefícios à população e ao município, como redução de gastos para a recuperação de danos causados pelos impactos de chuvas.  Aracaju bem que poderia seguir o exemplo. Como não o segue, basta São Pedro, acusado pelos políticos de o Black Bloc das águas abrir suas torneiras e a cidade vive dias de caos.



 Os políticos, claro, tiram proveito das tragédias. Velhos remendos vão sendo sugeridos e arquitetados.


Aracaju dispõe de variadas condições para ser um exemplo de cidade sustentável, no entanto o que vemos é um permissivo processo de ocupação urbano, que inclui redução de áreas verdes, aumento de impermeabilização do solo, aterramento de mangues e especulação imobiliária predatória. Enfim, um dilúvio de crimes ambientais. Que o regente das águas celestes tenha compaixão por nós.


Por: Alex Nascimento, jornalista, professor e presidente do Instituto Atitude de Cidadania e Meio Ambiente.


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