O comportamento de torcidas de futebol beira a irracionalidade - DE OLHO NA MÍDIA

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O comportamento de torcidas de futebol beira a irracionalidade

07 abril 2015

/ DE OLHO NA MÍDIA
 

Por: Abrahão Crispim Filho  

O comportamento de torcidas de futebol beira a irracionalidade em determinados momentos, muitos aliás, é reflexo hoje desse ódio disseminado pelo modelo político que temos. Nas torcidas, com exceções, se concentram todos os preconceitos. O racismo é recorrente. Há milhares de jogadores de futebol no Brasil que mal ganham para comer e uns poucos que ganham absurdos, como consequência da habilidade com a bola.


O lateral esquerdo do Internacional de Porto Alegre, Fabrício, perdeu a cabeça com as ofensas da torcida de seu clube. As televisões do País inteiro mostraram a reação do jogador. Um negro, origem humilde, com um irmão assassinado e outro preso, ambos ligados ao tráfico de drogas. Aproveitou a oportunidade que teve, como lutadores negros de boxe, dentre eles Muhamad Ali, o maior de todos, fez nos Estados Unidos. O fato do torcedor pagar lhe dá o direito de querer ver seu clube ganhar e acompanhar o esforço e a luta em campo dos jogadores. Mas não lhe dá o direito de ofender, de desqualificar um trabalhador, ganhe pouco, ou ganhe muito. O futebol no Brasil e em vários países do mundo transcende ao campo.


Flavio Costa, técnico da seleção de 50, tem uma frase antológica e perfeita - "no Brasil o futebol evoluiu da boca do túnel para dentro". Dentro do campo. O comportamento de Fabrício vai lhe valer uma suspensão, pode ser afastado do Internacional, mas é compreensível. É o reflexo das várias humilhações sofridas, num estado onde o racismo é forte, acentuado, no momento em que a meio de problemas pessoais graves tentava cumprir sua missão. Já o comportamento da torcida é de intolerância, de desrespeito, de ódio. Não se justifica.


Quisera as torcidas fossem para as portas do Congresso repetir o que dizem em campo para figuras como Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Bolsonaro e outros. Duvido que a reação deles seria como a de Fabrício, de indignação. Seria covarde como costuma ser em relação ao povo e seus direitos. Que o Internacional e os jogadores de todos os clubes do Brasil, sobretudo aqueles que sofreram e sofrem humilhações, sejam solidários a Fabrício. A propósito desse post, não sou Internacional, torço pelo Fluminense, mas torço sobretudo pelo futebol livres dos seus "renans" e "eduardos cunhas". E principalmente o Brasil. Ah! Ia me esquecendo desse crápula chamado Gilmar Mendes.

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