7ª edição da Feijoada da Negra Jhô - DE OLHO NA MÍDIA - Site oficial

Responsive Ad Slot

7ª edição da Feijoada da Negra Jhô

31 agosto 2016

/ Unknown
Da redação

Olodum, Didá e o sambista carioca Vadinho Freire são atrações 


[caption id="attachment_13452" align="alignleft" width="1000"]© Fornecido por Fábio Peixoto © Fornecido por Fábio Peixoto[/caption]

No próximo dia 4 de setembro (domingo), a famosa Feijoada da Negra Jhô chega a sua 7ª edição e para comemorar este marco recebe o som do Olodum, Didá e o sambista carioca Vadinho Freire. O evento acontece a partir das 13h, na Praça Tereza Batista, Pelourinho.


Jhô, como manda a tradição, vai sair de seu salão com um cortejo repleto de bailarinos vestidos de orixás, saudando as ruas do Pelô, sob o comando das batidas da banda Didá. Este ano, a novidade, fica por conta da participação do famoso sambista carioca Vadinho Freire, revelação do gênero musical mais popular do Rio de Janeiro. Vadinho, cria da Estação Primeira de Mangueira, traz em 10 anos um legado artístico repleto de conquistas no universo do samba.


A festa fica completa com a participação de Catadinho do Samba, Bambeia, Afro Jhow e Bankoma. Para encerrar o evento, a banda Olodum, uma das atrações mais esperadas da festa, promete arrepiar a todos com o som da sua percussão.


A “FeiJhôada” se transformou em um festival cultural, com direito à dança, desfile de estética afro e apresentações musico-culturais que misturam samba, afro, pagode, semba, kuduro e axé.


Serviço


“FeiJhôada”


Data: 04 de setembro (domingo)


Horário: 13h


Local: Praça Tereza Batista – Pelourinho


Atrações: Olodum, Banda Didá, Vadinho Freire(RJ), Catadinho do Samba, Bambeia, Afro Jhow, Bankoma, Samba Tipo A, além das participações especiais de Aloísio Menezes, Igbonan Rocha, Portella Açucar(Cortejo Afro), Veko Araújo e Afro Dendê e muitos outros.


Ingressos: R$ 50 (Individual a vista); R$ 59 (Individual no cartão em até 2x)


                  R$ 80 (Casadinha a vista); R$ 99 (Casadinha no cartão em até 3x)


Vendas: Salão da Negra Jhô (Rua Frei Vicente, n°04, Pelourinho)


Informações: 3321-8332/ 98779-0296/ 99162-7239/ 99302-8703/ 98840-2668/ 99724-8358



Sobre Vadinho Freire




[caption id="attachment_13453" align="alignleft" width="350"]© Fornecido por divulgação / Vadinho Freire Sambista © Fornecido por divulgação / Vadinho Freire Sambista[/caption]

Revelação do gênero musical mais popular do Rio de Janeiro, Vadinho Freire, “cria” da Estação Primeira de Mangueira, teve a primeira experiência profissional na música ainda bem jovem, como intérprete do G.R.E.S. Acadêmicos do Cubango, escola de samba de Niterói, onde nasceu.


Em 10 anos de carreira, Vadinho já fez parte do grupo de intérpretes da Mangueira (2007), assumiu o microfone no G.R.E.S. Tradição (2010), fez parte do carro de som da Mangueira como cantor oficial ao lado dos intérpretes Luizito, Zé Paulo Sierra e Ciganerey, quarteto que foi considerado pela crítica especializada como os quatro tenores da verde e rosa (2012), e foi intérprete das escolas de samba Princesinha do Atlântico (Macaé) e Vila Carvalho (Campo Grande/MS).


Nesse mesmo período, foi um dos vocalistas da banda Funk’n Lata e criou, inspirado no grupo, o Instituto Sociocultural Batuque Favela, projeto social de música e dança voltado aos jovens da favela da Mangueira. Participou da gravação do CD em homenagem ao Cacique de Ramos ao lado de artistas como Xande de Pilares, Sombrinha, Jorge Aragão e Beth Carvalho, e também de rodas de sambas tradicionais do Rio de Janeiro, dividindo o palco com dezenas de bambas.


Também se aventurou no funk, compondo a trilha sonora do espetáculo “Na Batalha”, produzido por DJ Sanny Pitbull e Rafael GrandMaster, com direção do escritor Julio Ludemir, que contava a história do passinho.


No carnaval de 2016, foi campeão do grupo de acesso como intérprete da escola de samba Paraiso do Tuiuti, que não desfilava pelo grupo especial desde 2001, e embalou 30 mil foliões nos Arcos da Lapa no bloco Agytoê.


 Festival Cultural Negra Jhô


Negra Jhô“A Feijhôada se transformou em um festival cultural, com direito à dança, desfile de estética afro e apresentações musico-culturais com a Banda Dida, Olodum, Ilê Aiyê, Afro Jhow  e os grupos de Samba: Bambeia, Catadinho do Samba, Igbonam Rocha, Sangue Brasileiro e outros.


Todas às atrações citadas tiveram a oportunidade ao longo desses cinco anos, de abrilhantar o evento mais belo da Bahia, reunindo amplitude das manifestações culturais”, observa Negra Jhô e acrescenta, a população baiana e pessoas de todos os lugares de Salvador vão ter a oportunidade de se divertir com o que é mais popular em nossa cidade, num ponto de disseminação e convergência cultural como é o  Centro Histórico de Salvador, finaliza.


Negra Jhô – Orgulho de ser negra e baiana


Valorizar a beleza negra sempre foi o objetivo de Negra Jhô, que, desde muito jovem, lutou para colocar em prática sua verdadeira vocação: cabeleireira especializada em cabelos afro. Hoje, ela é referência no Brasil inteiro. Do seu salão, localizado no coração do Pelourinho, em Salvador, saem penteados admirados por todos: brancos e negros, de norte a sul do país e até do exterior.




[caption id="attachment_13456" align="alignright" width="350"]Foto_por_Fabio_Peixoto_0301 © Fornecido por Fabio Peixoto[/caption]

Negra Jhô tem uma força de vontade imensa e uma autoestima inabalável. Desde criança se recusava a esticar o cabelo ou usar os vestidos de “mocinha” que sua madrasta queria lhe impor. Gostava de se exibir com tranças e roupas que criava com pedaços de pano e amarrações. Esta criatividade vem da sua herança genética: Nascida no interior, entre Candeias e Madre de Deus, no quilombo Muribeca, ela se lembra bem da avó, Mãe Ziza, do terreiro Joãozinho de Xangô.


Ainda novinha, foi morar em Madre de Deus e, depois, em Feira de Santana, onde tentaram criá-la como uma menina branca, mas, com personalidade forte, não se deixou influenciar. “Eu era exótica”, lembraJhô. Apesar de lhe dizerem ao contrário, ela se achava bonita e gostava do cabelo encaracolado e “cheio de vontades”.


O orgulho da raça podia ser notado nos pequenos gestos da menina. Ao ganhar uma boneca branca, ela logo pintava toda de preto, trançava os cabelos e enfeitava com pedaços de chita. “Posso dizer que minhas primeiras clientes foram minhas bonecas”, brinca. Depois, vieram as irmãs, as primas, que começaram a achar bonitos os penteados que Negra Jhô fazia. “Éramos cinco mulheres.


Todas nós tínhamos tarefas na casa e a minha era trançar os cabelos da mulherada”, relembra a cabeleireira baiana. Batizada como Valdemira Telma de Jesus Sacramento,  acabou ganhando um apelido, porque, quando era pequena, o cabelo não crescia e, por isto, a garotada da rua a chamava de João.


Esperta, tirou proveito da brincadeira e incorporou o apelido: virou John, depois, Jhô e acabou ficando famosa como Negra Jhô.


Foto_por_Fabio_Peixoto_0288


Coisa do destino. Por causa do cabelo, ela ganhou outro nome e mudou a própria vida. A luta foi grande até conseguir viver do ofício que mais gostava. Antes disto, morou de favor, andou descalça, trabalhou em casa de família, deixou o filho morando com o pai. “Mas tinha certeza que um dia tudo aquilo ia passar”, recorda-se, sorridente, ao falar do passado. Tudo parecia ter mesmo ficado para trás quando conseguiu o primeiro trabalho em um salão do Pelourinho. Mas a falta de pagamento a levou a sair do emprego. Por total falta de opção, ela se sentou no chão do largo do Pelô com seus apetrechos de fazer tranças e esperou a primeira cliente. “Ainda me lembro da pessoa. Ela estava marcada para fazer a trança no salão, mas, quando me viu na rua, não se importou de trançar o cabelo ali mesmo”, conta. E aí foi chegando um, depois outro… O pessoal passava, via e também queria fazer. Pronto: em pouco tempo, já tinha fila. Os turistas começaram a fazer fotos e, assim, Negra Jhô se tornou a pioneira nessa tradição que  té hoje pode ser vista nas ruas do Pelô. Quando o calor aperta dentro do salão, ela coloca a cadeira na calçada e faz os cabelos ali mesmo.


Durante três anos trabalhou na rua, mas sonhava conquistar um espaço próprio. A oportunidade surgiu em 1997, com a ajuda do governador Antonio Carlos Magalhães, depois de muitas tentativas. “Toda festa por aqui, ele vinha e eu pedia um lugar para instalar meu salão. Uma vez, vesti cinco meninas com torso vermelho, azul e branco e vestido branco, as cores da Bahia, e chamei a atenção dele, que já me conhecia. Ele acabou me dando a concessão desse local onde estou hoje”, conta, referindo-se ao salão Instituto Kimundo de Cultura Afro, na Rua Frei Vicente, número 4.


 Beleza Negra

O salão e Negra Jhô são muito conhecidos nas redondezas do Pelô. Basta ficar ali alguns minutos para testemunhar que a todo instante alguém passa e faz uma reverência à mulher de sorriso largo, beleza farta, que está sempre arrumada, maquiada, de cabelo feito ou torso imponente e vestimenta à africana, em respeito à clientela e em homenagem a sua raça. Ela própria já foi símbolo do carnaval baiano em 2002. Também são lindas as quatro meninas que fazem parte da equipe e que aprenderam a arte de pentear com a mestra. Lá, o que conta são a prática e a criatividade, que foi capaz de transformar penteados como o cocó – aqueles montinhos de cabelos enrolados e bem separados que as negras faziam para dormir e evitar acordar com a carapinha desgrenhada – em looks cheios de estilo para sair às ruas. Ou valorizar a beleza da trança-nagô (várias tranças unidas umas às outras), criando uma versão mais sofisticada. Mas a campeã de pedidos é a trança-de-raiz, uma espécie de tiara feita até certo ponto da cabeça, deixando o  estante dos cabelos soltos. “A trança solta e o Black são bons para namorar, porque têm pegada”, brinca Jhô.


A clientela do salão aumenta muito a partir de 20 de dezembro até o carnaval. No restante do ano, o movimento é normal, mas a baiana tem muitas idéias que ainda precisam ser colocadas em prática nos períodos mais vazios. “Preciso de um espaço mais amplo. Meu sonho é fazer um centro de cultura e arte afro, incluindo cursos para cabeleireiros, massagens, estética, banhos de essências e até dança, coisa que faço muito bem”, revela. Para ela, assumir as raízes africanas deve se tornar um estilo de vida, algo que precisa ser valorizado e ensinado às meninas desde pequenas. Na época do carnaval, ela trabalha em camarotes, mas só aceita trabalhos que tenham a ver com suas convicções. “Uma vez, queriam botar minhas meninas de shortinho e top. Não permiti, porque nós somos afro”. Negra Jhô recusou o convite e encerrou o assunto. Como diria seu filho, o orgulhoso Afrojhow, “essa negra é ousada!”.







 
© Todos os direitos reservados 2009 - 2018 - D`Anjos Web Service - De olho na mídia