SOS Velho Chico: Baixio de Irecê - DE OLHO NA MÍDIA

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SOS Velho Chico: Baixio de Irecê

31 agosto 2016

/ DE OLHO NA MÍDIA

Matéria e Produção:  © Fornecido por Camila Gabrielle



O projeto que prevê a construção de 86 km de canais, no Rio São Francisco, visa desviar água para irrigação. A obra encontra-se superfaturada, incompleta e a polêmica dos prejuízos ambientais é recorrente.


são fO Rio São Francisco é de extrema importância para manutenção de diversas comunidades locais e ecossistemas, principalmente, no semiárido nordestino. Nos últimos anos, o rio tem sofrido com a falta de chuvas em diversos municípios, devido às secas fora de época, em seus afluentes. Além da questão natural, a ação humana contribui para o declínio do nível do rio, com projetos que visam o desvio de águas para a irrigação. Um deles é o Baixio de Irecê, localizado no interior da Bahia.


Histórico


 No ano de 1961, foi feito o primeiro estudo pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF),nos municípios de Xique- Xique, Itaguaçu da Bahia, Jussara e Sento Sé, localizados no interior da Bahia. Esse estudo visava alojar as famílias que seriam desalojadas pela Barragem de Sobradinho. Cerca de 388 mil hectares foram identificados. Em função da fertilidade do solo e das fontes de água, especialmente do Rio São Francisco, esse espaço deixou de ser pensado apenas para o alojamento das famílias. Um projeto de Irrigação começou a ser estudado.


O que é Irrigação


A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), traz a definição do que é Irrigação:“A irrigação é uma técnica milenar que tem como finalidade disponibilizar água às plantas para que estas possam produzir de forma adequada. A técnica, ao longo dos séculos, vem sendo aprimorada, chegando aos dias de hoje a sistemas pontuais, onde a água é gotejada no momento, local e quantidade correta ao desenvolvimento das plantas [...].Entretanto, a escolha do sistema de irrigação deve basear-se em análise técnico-econômica, levando em consideração o tipo de solo, topografia, clima, cultura, custo do equipamento e energia, qualidade de água disponível e mão-de-obra. Quando se trabalha com agricultura irrigada é importante estabelecer o momento certo de iniciar as irrigações e quanto de água aplicar a uma cultura.”  Para saber mais, acesse aqui:


O projeto




[caption id="attachment_13436" align="alignleft" width="280"]Um dos canais do projeto Um dos canais do projeto/ © Fornecido por Railton Nascimento[/caption]

Chamado de Baixio de Irecê, o projeto começou em 2000 e previa a construção de 86 km de canais. A obra estava orçada em R$ 1,3 bilhões. Em 2017, a previsão é que sejam entregues 42 km de canais. Já foram gastos na obra, 880 milhões de reais.


A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODESVASF), junto com o governo do Estado da Bahia, estão realizando a obra. Lotes de terras foram adquiridos para instalação de irrigação e produtores poderão, futuramente, comprar um lote e plantar, de preferência, abacaxi, abóbora, algodão, banana, uva, coco, entre outros.


No site da CODEVASF, a empresa comenta os objetivos do projeto: “Contribuir para o desenvolvimento da região semiárida através da agricultura irrigada, dentro da sustentabilidade ambiental, incorporando 59.375 ha ao processo produtivo; elevar a produção e a produtividade das safras agrícolas, gerando renda, aumento da oferta de alimentos e propiciando a abertura de empregos diretos e indiretos”.




[caption id="attachment_13437" align="aligncenter" width="850"]codevasf © Fornecido por CODEVASF[/caption]

Para conhecer mais o projeto,acesse pdf:


Railton Barbosa, professor de geografia formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA),morador de Xique- Xique e defensor da revitalização do São Francisco, afirma que, em 2010, o projeto parecia bom pela geração de renda, empregando mais de 400 pessoas. Porém, a comunidade entende que, o rio tem enfrentado secas cíclicas, as quais podem afetar o ecossistema local. “Não existe um controle dos processos erosivos, reposição da mata ciliar[...]. Isso irá resultar na falta de água local. Se você tira algo e não repõe, a tendência é acabar”, argumenta.


Lagoas Marginais




[caption id="attachment_13438" align="alignleft" width="300"]O resgate dos peixes em meio à seca O resgate dos peixes em meio à seca / © Fornecido por Railton Nascimento[/caption]

As lagoas Marginais são áreas inundadas pelos rios durante os períodos chuvosos. Após as chuvas, as lagoas ficam isoladas. Segundo o professor Railton e sua equipe, estes locais tem sofrido com problemas de seca – secam mais rapidamente- e o baixo volume do Rio São Francisco. “Ano passado, a maior lagoa às margens do São Francisco, Lagoa da Itaparica, secou totalmente provocando a morte de milhares de peixes”, argumenta Railton.


Ele e uma equipe, inclusive alunos, resgataram cerca de 15 mil peixes desta Lagoa e devolveram ao Rio São Francisco. Além do problema da seca, comunidades que dependem da pesca têm sido afetadas com a morte dos peixes.


“Acredito que diversos fatores contribuem com a crise hídrica do rio São Francisco, dentre os quais a Transposição e o Baixio”, completa Railton, citando o quadro de atividades praticadas ao longo do rio.


AO-LONGO-DO-RIO


Revitalização do Rio


Revitalizar implica em dar vida. O presidente interino, Michel Temer, no dia 9 de agosto de 2016, lançou o “Plano Novo Chico”. O objetivo é realizar ações de revitalização do rio, até 2019. A Casa Civil, prevê o investimento de R$ 1,1 bilhão com finalidade para sistemas de esgotamento sanitário e ações de abastecimento de água.


Janeiro de 2017

[caption id="attachment_13444" align="alignright" width="300"]Governo do Estado da Bahia © Fornecido por Governo do Estado da Bahia[/caption]

No dia 7 de agosto de 2016, o atual governador da Bahia, Rui Costa, em reunião com o ministro interino da Integração Nacional, Helder Barbalho, conseguiu a liberação de R$ 3 milhões para que o Baixio começasse a funcionar em janeiro de 2017. Para o próximo ano, também, o ministro prevê a liberação de mais R$ 5 milhões. O Baixio promete a geração de 2500 empregos diretos e, segundo o Governador, tudo dentro da sustentabilidade ambiental.


Balanço de Ações e Conscientização


A bacia do Rio São Francisco é uma das mais requisitadas no país, atualmente. Conta com a instalação de diversas hidrelétricas, como a de Sobradinho (BA), Itaparica (BA), Paulo Afonso (BA), Xingó (SE) e Três Marias (MG), para geração de eletricidade. Porém, vale ressaltar que o Nordeste tem potencial eólico para geração de energia. Uma hidrelétrica causa um considerável impacto ambiental por causar alteração climática, morte dos peixes, perda da biodiversidade, deslocamento das comunidades nativas, entre outros.


Como se não bastasse, a Transposição (obra que há 10 anos vem sendo construída) e o Baixio de Irecê, através da construção de canais que desviam água do Velho Chico, tem contribuído para a queda no nível do rio e não somente isto, na qualidade da vida de muitas pessoas.


Ambas obras encontram-se superfaturadas e atrasadas no seu processo de conclusão. A situação é tão crítica, que muitos municípios não possuem uma infraestrutura adequada de esgoto e saneamento básico, permitindo que dejetos sejam jogados no rio. Vale a pena refletir, independente da região, a importância de conservar e proteger os rios de ações que podem afetar o ecossistema e comunidade local. O desmatamento e a retirada da mata ciliar, importante por proteger o rio de assoreamento, são ações podem e devem ser evitadas por meio da conscientização ambiental tanto do governo, como da sociedade em geral.







 
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