Baependi de Nhá Chica - DE OLHO NA MÍDIA

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Baependi de Nhá Chica

03 abril 2017

/ DE OLHO NA MÍDIA
Por: Thiago de Menezes / thiagoturismo@deolhonamidia.com

[caption id="attachment_14806" align="alignright" width="300"] © Fornecido por divulgação[/caption]

Além de Lambari, Cambuquira, São Lourenço e Caxambu, estâncias hidrominerais e turísticas, indico aos nossos leitores, em suas andanças turísticas conhecer outro município que também faz parte do Circuito das Águas de Minas Gerais e é servido pelas rodovias federais BR-267, BR-354 e BR-383: a cidade de Baependi.

Para quem não sabe, Baependi é terra santa mineira. Ficou conhecida nacionalmente por causa de Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, primeira brasileira negra e leiga (que não é do clero) a receber o título de beata, em 28 de junho de 2012.

A religiosidade ocupa lugar de destaque na cidade, que abriga o Santuário Nhá Chica (conhecida como a "Santa de Baependi"), visitado por romeiros de diversas partes do país.

Cidade remanescente do chamado Ciclo do Ouro em Minas Gerais, Baependi se desenvolveu ao longo do caminho da Estrada Real - a primeira grande via de comunicação regular no Brasil -, que ligava a região das minas a Paraty, no Rio de Janeiro, porto de onde saía o ouro em direção à Europa.

[caption id="attachment_14807" align="alignleft" width="300"] © Fornecido por divulgação[/caption]

De acordo com relatos sertanistas, a região sul-mineira ficou conhecida pelos europeus a partir de 1601. Até então, a região era habitada pelos índios puris.

A conquista europeia de Baependi aconteceu, no entanto, em fins do século XVII, por volta de 1692, quando bandeirantes, partiram de Taubaté, em São Paulo, em busca de ouro. Transpondo a Serra da Mantiqueira, alcançaram um sítio que chamaram Maependi.

Baependi já era paróquia com funções eclesiásticas desde 1723. O sentimento de profunda religiosidade marca a história da cidade desde os primeiros tempos, traduzido pelos costumes de seu povo. A cerimônia da Semana Santa em Baependi acontece há mais de duzentos anos, sendo uma das mais tradicionais de Minas Gerais.

[caption id="attachment_14808" align="aligncenter" width="940"] © Fornecido por divulgação[/caption]

As procissões diárias acompanhadas de banda de música e coro, a representação da Paixão e Morte de Jesus Cristo, o canto da Verônica, o soar dos sinos e o som das matracas, revelam a fé e a tradição baependianas.

Os templos, debruçados pelas ladeiras esguias, parecem guardar a cidade e seus habitantes. O Santuário de Nossa Senhora Conceição, mais conhecido como Igreja de Nhá Chica, é o mais visitado pelos fiéis, que também se encantam com a arquitetura e o acervo da Igreja Matriz Nossa Senhora do Montserrat (1754). As igrejas baependianas - da Matriz, de Nossa Senhora da Boa Morte (1815) e do Rosário (1820) - tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico, representam bens de grande valor para um povo que considera Nhá Chica o seu maior patrimônio espiritual.

Francisca de Paula de Jesus, carinhosamente chamada de Nhá Chica, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito de São João Del Rey, aos 26 de abril de 1810. Ainda menina, mudou-se com a mãe e o irmão para Baependi onde se dedicou à fé e à caridade até a sua morte em 1895. Em 1954, a Igreja de Nhá Chica foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor. Desde então teve início bem ao lado da Igreja, uma obra de assistência social para crianças necessitadas que vem sendo mantida por benfeitores devotos de Nhá Chica. Hoje a "Associação Beneficente Nhá Chica" (ABNC) acolhe muitas crianças entre meninas e meninos. Ao lado de Nhá Chica, tem a humilde casa onde ela viveu (antiga Rua do Coqueiro, atual Rua da Conceição, 165), com quadros que a retratam pintados pelo falecido artista plástico e fotógrafo paulista Paulino Santiago e onde se encontram suas dádivas.

Aos poucos, o ecoturismo está revelando a pequena Baependi. A cidadezinha abriga 40% do Parque Estadual da Serra do Papagaio, repleto de trilhas e cachoeiras perfeitas para a prática de esportes de aventura, como trekking e rapel. Entre as dezenas de cascatas da região destacam-se Usina Velha, do Bugio, Caldeirão e Honorato Ferreira, além de Três Quedas, com 30 metros e piscina natural.

[caption id="attachment_14809" align="alignright" width="196"] © Fornecido por divulgação[/caption]

Natural de Itapira, SP, e então residente no Rio de Janeiro, a escritora e museóloga Odette Coppos lançou, em 1972, pela Editora Pongetti, o livro “Vamos Conhecer Baependi”, com recorde de vendas. Em 1999, junto com a mesma Odette, lancei o livro “Nhá Chica de Baependi”, pela Editora NOSDE, de Santa Catarina, cujas vendas destinamos ao Lar e Abrigo Nhá Chica, como uma promessa feita à memória do inesquecível religioso Frei Jacintho de Palazzolo, que lá residiu durante longos anos.

Odette, que havia organizado o Museu Sacro Dom Inocêncio, na vizinha cidade de Campanha, era muito conhecida por sua atuação na região, principalmente por ter fundado o Museu de Caxambu e por ter dito homéricas discussões em torno da história real de Nhá Chica com o famoso Monsenhor Lefort, que tomou conta das igrejas do local por muito tempo. O mesmo combateu o fato da mesma se manifestar espiritualmente em Itapira, SP, que mantinha o Centro Espírita Nhá Chica, através da falecida médium Maria Bressan durante décadas. E toda a minha dedicação a Nhá Chica saiu também publicada no livro “Ler é Para Crer”, que foi a décima antologia organizada pela Oficina do Livro Editora, a cargo de Silvia Bruno Securato.

Baependi é, sem dúvida, um ótimo lugar para descansar o espírito. Em todos os sentidos. Um lugar com muitos encantos, assim como Lambari, Caxambu, São Lourenço e Cambuquira. Vale a pena conhecer essa cidade alegre e hospitaleira, com seu clima acolhedor, suas simpáticas pousadas com muita natureza e história abençoada por Nhá Chica, que atrai milhares de romeiros e turistas para lá, todos os anos, em qualquer época!




 
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