D. Pedro Casaldáliga, uma voz humana contra o autoritarismo - DE OLHO NA MÍDIA

Responsive Ad Slot

 

D. Pedro Casaldáliga, uma voz humana contra o autoritarismo

11 agosto 2020

/ DE OLHO NA MÍDIA

Por: Assessoria de Comunicação do CEDEM, da Unesp / foto divulgação

No dia 8 de agosto, D. Pedro Casaldáliga faleceu em Batatais, interior de São Paulo, aos 92 anos, por complicações respiratórias em decorrência da doença de Parkinson. Foi uma vida dedicada às causas dos mais pobres e vulneráveis. Nascido em Balsareny, na província de Barcelona, na Espanha, 16 de fevereiro de 1928, o bispo mudou-se para o Brasil em 1968, fixando residência em Mato Grosso (MT), onde buscou a conscientização de índios e pequenos agricultores contra o poder do latifúndio.

Em 1971, foi nomeado bispo prelado de São Félix do Araguaia, região em que buscou a evangelização vinculada à promoção humana e à defesa dos direitos humanos. Criou as comunidades eclesiais de base com líderes para a conscientização dos oprimidos contra a exploração e pela vida e esperança.

Durante seu bispado procurou mostrar sua identificação com os povos indígenas, substituindo os trajes da igreja por outros confeccionados com materiais locais. A mitra foi trocada por um chapéu de palha; o báculo, por um cajado indígena e o anel de ouro por um anel de tucum. Este se tornaria símbolo da teologia da libertação.

D. Pedro apoiou a causa dos nicaraguenses contra o governo de Anastasio Somoza Garcia (1936 – 1978) e a revolta de Chiapas, em 1994, no México.

Por sua luta, foi ameaçado de morte inúmeras vezes. Durante a ditadura militar no Brasil também foi alvo de expulsão. Mas foi defendido por D. Paulo Evaristo Arns, respeitado por sua oposição ao governo ditatorial.

Foi poeta e autor de diversos livros em que manifestou sua crença nos homens e defesa da paz e dos vulneráveis. Entre eles, "Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social" (1971); “Murais da libertação”, 2005; “Versos Adversos”, 2006.

Escreveu o poema “Confissões do latifúndio”, transformado em um cartaz pelo MST, que o Centro de Documentação e Memória (CEDEM) mantém em seu acervo.

Confissões do latifúndio

Por onde passei, plantei a cerca farpada,
Plantei a queimada.
Por onde passei, plantei a morte matada.
Por onde passei, matei a tribo calada,
A roça suada, a terra esperada.
Por onde passei, tendo tudo em lei,
Eu plantei o nada.

D. Pedro Casaldáliga          

Onde pesquisar:

CEDEM
On-line: www.cedem.unesp.br
Presencial: Sede do Centro de Documentação e Memória (CEDEM), da Unesp
Praça da Sé, 108, 1 andar – São Paulo (SP)
E-mail: pesquisa@cedem.unesp.br
Tel.: 11-3116-1701


© Todos os direitos reservados 2009 - 2020 - D`Anjos Web Service - DE OLHO NA MÍDIA